Sábado, 23 de Maio de 2009

Pelos montes alentejanos (2)






Descendente do javali, o porco ibérico alentejano é actualmente a única raça suína de pastoreio do Continente Europeu em habitat natural e só se encontra no sudoeste da Península Ibérica. É, sem dúvida, uma raça diferente e ímpar, privilegiada pela natureza. A sua alimentação passa exclusivamente pelo que a Natureza lhe fornece: bolotas, plantas frescas e ervas aromáticas, acompanhada da actividade física necessária para procurá-las. Está assim explicada a carne tenra, suculenta e com um sabor inigualável, marca cada vez mais distintiva desta raça de porco preto, resultado do cruzamento do porco ibérico com o porco celta. Do outro lado da fronteira, o porco ibérico comum, alvo já de cruzamentos com outras raças, começa a perder algumas características outrora partilhadas, estando-se nalguns, a tentar restabelecer a pureza da raça.

Bolota a bolota

Seguindo o curso da Natureza, a criação destes porco é feita em 3 fases:
- lactação;
- preparação, durante a qual os animais se alimentam de bolbos, grãos, espigas, ervas e sementes, já no campo, até atingiram um peso variável entre 80kg e 115/120kg;
- montanera ou, por outras palavras, de engorda, na sua maioria feita à base de bolotas, alimento rico em hidratos de carbono e gorduras, e de plantas e ervas secas, com elevado teor proteico. Como curiosidade, refira-se que nesta fase, o consumo de bolotas pelo porco pode atingir 10kg diários, o que representa um ganho de peso na ordem de 1kg por dia!

Uma questão de patas

Sobejamente conhecida, a designação “pata negra” dada aos presuntos de porco preto é para muitos associada a uma imagem de qualidade que pouco tem a ver com a realidade. Esta expressão não passa de uma designação comercial que é inclusive usada para presuntos de raças brancas. É por esta razão que ultimamente se tem assistido à alteração desta designação, por arte dos produtores espanhóis, que preferem o recurso à expressão “ibérico” (que inclui 3 variedades: bellota, quando o porco se alimenta de bolotas, raízes e ervas; recebo, se à bolota se juntam cereais; pienso, caso o cereal seja a fonte principal de alimento). Entre nós, o presunto do porco preto alentejano é considerado um “ibérico”, embora superior dada a qualidade de vida de que este desfruta. (Fontes: Porco Alentejano e Clube de Produtores)

3 comentários:

Jorge C. Reis disse...

É mais conhecido como espanhol mas é genuinamente português. Infelizmente continuamos a não saber engrandecer o que temos de bom. Até o vinho do Porto já é adulterado na maior parate das vezes.
Parabéns pelo post. Magnífico. Bj

João Menéres disse...

Excelente o tema para despertar a atenção de tantos outros a que estamos votando ao esquecimento como que envergonhados do património imenso e tão variado que temos.

MILOUSKA, uma vez mais, excelente a forma como abordou o caso concreto do Porco Ibérico Alentejano.

Um beijo e bfs.

joao.silva disse...

Bom dia,
Cara Milouska, ando à procura de umas fotos assim para compor um PPS. Posso utilizá-las?
Parabéns, pelo seu Blog.


João Santos Silva

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